segunda-feira, 20 de abril de 2009

MOTIVAÇÕES MÍTICO-HISTÓRICAS DA BUCÓLICA IV



Roberto Arruda de Oliveira

RESUMO
Realizou-se uma investigação do mito do Eterno Retorno nos tempos primordiais
e a repercussão do mesmo na época de Virgílio. Ressaltaram-se aqui
aspectos míticos, históricos e filosóficos atestados na elaboração poética da Quarta Bucólica virgiliana.
Palavras-Chave: Bucólica IV; Virgílio; Mito do Eterno Retorno; Paz de Brindes, palingenesia; Idade de Ouro.



O assassinato de César, ocorrido em março de 44 a.C., terminou por desestruturar a pouca tranqüilidade política romana que até então se sustentava. Com o rompimento desse equilíbrio, Roma começa a abrir
as portas às lutas sangrentas, às pretensões dos aventureiros e à nostálgica
supremacia do Senado. Roma se vê então dividida em duas facções:
de um lado, Bruto e Cássio, mentores da conspiração, tentando ainda
devolver ao Senado suas antigas prerrogativas; de outro, Marco Antônio,
braço direito de César, ansiando, com o apoio do exército, por tomar
posse do que restara da obra do ditador. Surge nesse cenário outro
personagem dizendo-se merecedor da herança de César, Otávio, um jovem
de dezenove anos, sobrinho e filho adotivo do ditador defunto, o
qual, apresentando-se como vingador de seu pai adotivo, reivindicava
seus direitos familiares e civis.


A disputa pelo poder entre Antônio e Otávio, em vez de dividi-los,
terminaria por uni-los temporariamente. Otávio sentia em Antônio um
inimigo poderoso e o convida, como também a Lépido, para com ele
constituir um segundo triunvirato. Abandona Otávio o apoio do Senado
e estabelece um governo de cinco anos sob essa nova coligação. Logo,
com a expulsão dos assassinos de César, caberia a Otávio e Marco Antônio
decidir o destino do triunvirato.
No começo de outubro do ano 40 a.C., Antônio e Otávio, que há
alguns anos estavam na iminência de um confronto, tiveram em Brindes
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um memorável encontro. Concordaram ambos em dividir o mundo romano:
Otávio ficou com o Ocidente e Antônio com o Oriente; a Itália
permaneceu neutra. O casamento entre Antônio e Otávia, irmã de Otávio,
garantiria o sucesso desse acordo. Essa paz contudo, sabemos hoje,
foi apenas uma trégua temporária. Cada um tinha no espírito a vontade
de se rebelar contra o outro numa primeira oportunidade. Apesar disso,
os contemporâneos, no meio dos quais se incluía Virgílio, receberam a
Paz de Brindes como um imenso alívio. De certa forma, a certeza de
uma reconciliação entre os dois surgia – devido ao terror vivido durante
a Guerra de Perúsia – como uma garantia de felicidade futura. A Itália de
então tinha no mês de outubro do ano 40 a.C. um momento de esperança
e confiança numa prosperidade iminente: punha-se de lado qualquer possibilidade de rivalidade futura. Polião, protetor de Virgílio e a quem ele
dedica a Bucólica IV, era uma das principais figuras de intermediação
entre os dois adversários: Sicelides Musae, paulo maiora canamus;
non omnis arbusta iuuant humilesque myricae:
si canimus siluae, siluae sint consule dignae.
(Buc. IV, 1-3)
Ó Musas1 da Sicília, cantemos coisas um pouco mais elevadas2 :
os arbustos e os humildes tamarindos3 não agradam a todos.
Se cantamos os bosques, que os bosques sejam dignos de um cônsul4 .
Uma leitura atenta da Bucólica IV nos leva a crer que todo o poema
converge de fato a uma só idéia: a celebração da paz. Virgílio encontrou
na força propulsora do mito o elemento indispensável do seu fazer poético.
Portanto, ao se abordar o poema em questão, é possível depreenderse
que o mito da Idade de Ouro constitui o modelo idealizado no qual o
poeta se inspirou para compor o que se poderia chamar de pax virgiliana.
Virgílio retoma a descrição do mito hesiódico, mas a sua perspectiva é
nova, na medida em que a Idade de Ouro vincula-se no poema a um
tempo futuro, o que, a nosso ver, constitui uma retomada do mito, se
bem que com uma função inovadora. Seguindo as pegadas de Hesíodo,
os autores latinos, na maioria das situações, servem-se do mito da Idade
de Ouro, ressaltando o paraíso existente in illo tempore, contrapondo-o,
com freqüência, com a realidade dura e cruel da Idade de Ferro. Virgílio,
como poeta-vate evoca o mito da Idade de Ouro que parece se coadunar
com o momento histórico: a assinatura do tratado de paz em Brindes. A
114 • CALÍOPE, Rio de Janeiro, 11: 112-127, 2003 paz, anseio de todos, seria, pois, o leitmotiv para a composição do poema,
encontrando eco nos versos do poeta. Não se trata de uma simples
descrição nostálgica, mas preconiza os ideais de um povo sacrificado
pelas constantes guerras.
Além dessas questões históricas, as doutrinas etruscas, adotadas
pelos romanos “et dont s’inspiraient les livres Sibullins”5 , a vida do universo,
tanto a física como a moral, estava dividida em grandes ciclos;
cada ciclo (ordo, v.5) compunha-se de idades, épocas (aetas, v.4) ou
Séculos (saecula, v.5) de duração variável, simbolizados por um metal e
presididos por um deus. Depois da última época (ultima aetas, v.4) de
cada ciclo, os astros, perfeitas suas revoluções, voltariam a seus pontos
de partida para recomeçar seus cursos dando início assim a uma nova
série de Séculos. O retorno da idade áurea nos vem anunciado na Quarta
Bucólica pela Sibila6 , cuja presença dá voz profética a todo poema. A
Sibila, que já existia ao tempo da Guerra de Tróia, cuja queda um dia
previu, torna-se no poema sabedora dos destinos da nova Tróia, i.e., de
Roma. A Idade de Ouro que Hesíodo punha no alvorecer da humanidade,
Virgílio retoma-a e transpõe-na7 à boca da Sibila8 de Cumas (v.4). A
própria Bucólica IV nos certifica no v. 5 desse recomeço inevitável do
Grande Ano:
Vltima Cumaei uenit iam carminis aetas;
magnus ab integro saeclorum nascitur ordo.
Iam redit et Virgo, redeunt Saturnia regna;
iam noua progenies caelo demittitur alto.
(Buc.,IV,3-6)
Já chegou a última época da predição de Cumas9 ;
nasce de novo a grande ordem dos séculos.
Já volta também a Virgem10 , já os reinos de Saturno11 ;
Já uma nova geração12 é enviada do alto céu.
Essa origem ligada à idade áurea, ligada sobretudo à idéia da beatitude,
não poderia se encontrar somente num passado mítico, mas também
num futuro fabuloso: conclusão a que chegaram os estóicos e os neopitagóricos,
criando a idéia do Eterno Retorno.
De um modo geral, as antigas sociedades nos falam de uma destruição
total do mundo seguida de uma regeneração: o que vemos com relação
ao mito do Dilúvio, os mais numerosos. O fim de um período de
tempo e o começo de um novo período, conhecido como Novo Ano na
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maioria das sociedades primitivas, corresponde ao tempo da nova colheita,
é uma espécie de regeneração; essa regeneração periódica da vida
é, como o nome nos sugere, um novo nascimento tal qual ocorre em
outras sociedades com relação à expulsão dos demônios, jejuns, confissões
do pecado e purificações. Seria no fundo, diz-nos Eliade
(ELIADE,1969, p.69), “une tentative de restauration, même momentanée,
du temps mythique et primordial, du temps “pur”, celui de “l’instant” de
la création”13 . Esta retomada do tempo, do Novo Ano, é, portanto, uma
espécie de reatualização, a cada ano, da criação do mundo.
Ao que parece, tanto a “morte” do homem como a “morte” periódica
da humanidade são indispensáveis a suas regenerações: para retomar
seu vigor é necessário se reintegrar na unidade primordial donde provém;
em outras palavras, faz-se mister ao mundo reentrar no “Caos” do
mesmo modo que pelo batismo cristão o homem reentra na água. Essa
tentativa de purificação pode ser na verdade uma tentativa de restauração
momentânea do “paraíso perdido” da humanidade: tido como lugar
ideal, como lugar de felicidade e plenitude espiritual, época em que, segundo
se acreditava, os homens não conheciam nem a morte, nem o
trabalho, nem o sofrimento, nem a fome. Naqueles tempos, criam, podiam
os deuses descer do céu à terra e se misturar aos homens, como os
homens, por sua vez, podiam subir ao céu.
Crê-se que a doutrina da destruição do mundo já era conhecida nos
tempos védicos e a crença numa conflagração universal, seguida de uma
nova criação faz também parte da mitologia germânica: esses elementos
nos fazem crer que os indo-europeus não ignoravam o mito do fim do
mundo. Esses mitos relativos à perfeição do princípio eram verdades
aos mesopotâmios, judeus e gregos, e daí podermos dizer que a doutrina
da eterna criação e destruição é uma idéia pan-indiana.
Segundo Eliade (ELIADE,1969), o estoicismo, os oráculos sibilinos
e a literatura judaico-cristã construíram suas idéias apocalípticas e
escatológicas baseadas neste mito. Soa-lhes reconfortante a idéia de que
– depois que o mundo for renovado pelo fogo – estarão os homens livres
da velhice, da morte, da decomposição; os mortos ressuscitarão e a
imortalidade será dada aos vivos. Trata-se de uma ¢pokat£stasij na qual
os bons nada têm a temer: essa catástrofe poria fim à História e reintegraria
o homem numa eterna beatitude.
116 • CALÍOPE, Rio de Janeiro, 11: 112-127, 2003
A síndrome apocalíptica era comum a muitas culturas, principalmente
na Índia, de onde foram trazidas pelas doutrinas astrológicas ao
mundo greco-oriental para aí serem popularizadas. Na Índia, dizia-se
que depois do fogo purificador, que dizimaria os maus, os homens conheceriam
uma Idade de Ouro, um mundo justo, eterno e feliz. Já aos
hebreus certas calamidades (fome, seca, guerras, etc.) anunciariam o
fim do mundo; depois viria o Messias; os mortos ressuscitariam; Deus
venceria a morte e a renovação do mundo aconteceria. Tanto entre os
iranianos como entre os judeus e os cristãos o fim do mundo coincidiria
com o aniquilamento dos pecadores, com a ressurreição dos mortos.
Essa concepção cíclica de desaparecimento e reaparecimento da
humanidade se conservou nas culturas históricas. Segundo Eliade
(ELIADE,1991,p.51), o Novo Ano “foi consideravelmente dilatado, dando
nascimento a um ‘Grande Ano’ ou a ciclos cósmicos de uma duração
incalculável”, e se expandiu no século III a.C. por todo o mundo grecoromano.
Segundo essa doutrina, o universo, visto como eterno, seria
aniquilado e reconstituído periodicamente a cada Grande Ano; doutrina
que, como toda cosmologia, era bem conhecida por Zenão, criador do
estoicismo.
Segundo o estoicismo, o universo seria destruído – era o que Zenão
entendia por ™kpÚrwsij – pelo seu núcleo plasmador e ordenador: o fogo;
o Grande Ano fecharia seu ciclo para se reiniciar em eterno continuum;
a própria revolução do mundo garantiria, segundo eles, sua eternidade: o
mundo queimaria e renasceria, feito Fênix, das próprias cinzas. Esse
mito teve uma grande repercussão, entre o séc. I a.C. e o séc. III d.C.,
em todo o mundo greco-irano-judaico. Idéias similares havia entre os
indianos e os iranianos (sem dúvida influenciados pelos babilônios); idéias
que também encontramos entre os maias de Yucatã e entre os astecas no
México.
Já falamos da existência na Grécia Antiga da teoria das idades do
mundo. O poeta Hesíodo em seu Os Trabalhos e os Dias (vv.109-201)
nos descreve a teoria da degeneração progressiva da humanidade no
decurso das cinco idades das quais a primeira, a paradisíaca Idade de
Ouro, a Bucólica IV evocará. Inspirando-se na teoria cíclica de Heráclito,
os estóicos vulgarizaram suas idéias com relação ao Grande Ano e ao
fogo cósmico (™kpÚrwsij). Com o passar do tempo, essas idéias do Eterno
Retorno e do Fim do Mundo terminam dominando toda a cultura
greco-romana.
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Além do estoicismo, Virgílio conhecia a filosofia pitagórica14 e
neopitagórica dos ciclos dos astros, que passam e voltam sempre ao
ponto inicial (¢pokat£stasij), impelidos pelo mesmo movimento. Esse
ciclo, dizem os pitagóricos, pode se operar também com certos períodos:
os acontecimentos ressurgiriam; nada de absolutamente novo haveria
no mundo; e como os acontecimentos, as pessoas também ressurgiriam.
Haveria novamente um Sócrates, um outro Platão e cada um dos
homens com os mesmos amigos e cidadãos; acreditar-se-iam nas mesmas
coisas e discutir-se-iam os mesmos argumentos; cada cidade e povoado
ressurgiria da mesma forma; nada de estranho aconteceria além
de tudo que aconteceu antes; cada fato acontecido no ciclo precedente
aconteceria novamente sem nenhuma diferença, até nas menores coisas.
“Esse retorno universal realizar-se-ia não uma, mas muitas vezes”
(MONDOLFO,1973,vol. II, p.105). Tal marcha contínua se estabeleceria
devido a um perpétuo movimento da esfera celeste: tudo retomaria
com a volta dos astros celestes a sua posição primitiva. E a eles cabia,
matemáticos que eram, o entendimento de tal marcha cíclica. a História
recomeçaria e os acontecimentos se repetiriam, como nos explica
Carcopino (CARCOPINO,1930, pp.41-43), pela mesma ordem:
Alter erit tum Tiphys, et altera quae uehat Argo
delectos heroas; erunt etiam altera bella,
atque iterum ad Troiam magnus mittetur Achilles.
(Buc., IV,34-36):
Haverá então um outro Tífis e uma outra Argo que transporte
heróis escolhidos; haverá também outras guerras,
e um grande Aquiles será mandado novamente a Tróia.
Bem antes de Virgílio escrever a Quarta Bucólica, o neopitagorismo
já havia se propagado em Roma: acadêmicos, estóicos, ecléticos, peripatéticos,
filólogos, oradores, todos contemplavam essa filosofia; era o
seu apogeu.
E quando recomeçaria esse ciclo? Somente os cálculos teóricos,
que eram os mais diversos, a respeito da duração desse ciclo poderiam
nos dizer. Teoricamente, o Grande Ano “est l’intervalle de temps qui est
nécessaire pour que les cinq planètes ainsi que le soleil et la lune se
retrouvent respectivement et simultanément ramenés aux positions en
longitude et latitude célestes qu’ils ocupaient à un instant initial”
(JEANMAIRE,1930,p.95). O tempo, no entanto, necessário a esse ciclo
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é uma grande questão insolúvel desde Platão (Timeu). Assim como alguns
estabeleceram 2.484 anos, outros fixaram o ciclo em 10.884 anos
(apud JEANMAIRE,1930,p.95). Na época em que Macróbio comentava
O Sonho de Cipião (II,11), admitia-se uma duração de 15.000 anos a
essa grande revolução (apud JEANMAIRE,1930, pp.95-96); e Cícero,
em seu tratado perdido intitulado Hortênsio (apud TÁCITO, Diálogo
dos oradores, XVI), afirmava ser de 12.954 anos:
Nam si, ut Cicero in Hortensio scribit, is est magnus et uerus annus, quo
eadem positio caeli siderumque, quae cum maxime est, rursum exsistet,
isque annus horum quos nos uocamus annorum duodecim milia
nongentos quinquaginta quattuor complectitur [...]
Se é verdade, como Cícero escreve no Hortênsio, que o grande e verdadeiro
ano se completa, no momento em que uma certa posição dos astros
e do céu se faz absolutamente a mesma, e, se tal ano compreende
doze mil novecentos e cinqüenta e quatro divisões que chamamos de
anos [...]
Polêmico também é o tempo que se dá à duração dos saecula. Pouco
importa discutir isso, o que vale ao entendimento do poema é que,
segundo o oráculo, o primeiro saeculum corresponde à Idade de Ouro,
presidida por Saturno – redeunt Saturnia regna (v.6) [já volta o reino de
Saturno] –, e o último à Idade de Ferro, presidida por Apolo. Assim,
segundo uma ordem inalterável, renasceria o primeiro saeculum com o
fim do último, e, com a consumação de todos os saecula, o ciclo se
reiniciaria, tomando seu curso novamente: a essa extensão de tempo
denominavam Grande Ano.
Essas especulações filosóficas e astronômicas, segundo Jeanmaire
(JEANMAIRE,1930, p.96), misturaram-se ao longo do tempo em Roma
com especulações órficas, pitagóricas e ainda outras vindas da Etrúria.
A concepção do ciclo cósmico nos surgiu sob duas formas: de um lado,
sob a noção astronômica de um Grande Ano, de um Ano do Mundo que
seria à revolução de sete planetas o que o ano sideral é à revolução do
Sol; de um outro, sob a teoria milenarista segundo a qual a vida de uma
nação, de um império, está limitada a certos números de Séculos, como
a vida do indivíduo tem por limite um certo número de anos. A contaminação
dessas duas teorias bem distintas pela origem deve ter levado à
especulação que afirmava ser cada Século um mês do Grande Ano, um
cálculo não astronômico, mas teórico, e daí o verso 12: et incipient
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magni procedere menses [os meses do Grande (Ano) começarão a se
suceder]; possivelmente, à época em que Virgílio escrevia a Quarta
Bucólica essa contaminação já teria se efetuado.
Quanto à Paz de Brindes supracitada, todos ansiavam que fosse
definitiva, e, por isso, deixaram-se dominar por uma efusão de alegria:
“on entrevoyait une ère nouvelle de délivrance et de bonheur”
(LAMARRE,1907,p.297). Tanto os sábios como o povo criam no cumprimento
das predições; tudo parecia conspirar em favor de uma renovação
e o poeta assim se faz intérprete dos anseios populares. Era o
momento de Virgílio cantar a felicidade que surgia, “de dire émerveillement
du coeur humain devant l’accomplissement de ce que l’on croyait
impossible”15 (BRISSON,1966, p.111), de decantar a glória conquistada
por Polião por ser o principal mentor dessa reconciliação: a Itália podia
agora respirar. Esses elementos históricos, a antiga tradição mitológica,
a teoria mítica do Grande Ano, a da palingenesia, o novo culto sibilino e
as idéias neopitagóricas combinaram-se16 possibilitando a Virgílio a elaboração
de um poema único: a Bucólica IV, dedicada a Polião.
Virgílio, ao cantar o mito da Idade de Ouro, não tinha em mente
apenas decantar uma verdade mítica há muito esperada. O recomeço da
“grande ordem dos séculos” (magnus saeclorum ordo, v.7), o aparecimento
de uma “nova geração” (noua progenies), que verá renascer o
reino de Saturno, não podem ser separados, pensa ele, das circunstâncias
históricas concretas17 . Longe de fazer devaneios, o poeta busca sua
inspiração nos acontecimentos contemporâneos dos quais teve o cuidado
de advertir o leitor:
Teque adeo decus hoc aeui, te consule, inibit,
Pollio, et incipient magni procedere menses
te duce.
(vv. 11-13)
E justamente por ti, ó Polião18 , sendo tu cônsul, a honra deste tempo19
terá início, e, sob o teu comando militar20 , os meses do Grande (Ano)21
começarão a se suceder22 .
Cremos que a Quarta Bucólica surge também, além da expectativa
mítica, como um grito de esperança; surge como uma nova proposta
diante das guerras civis, da penúria, das fadigas, de toda sorte de calamidades.
Fez o poeta menção, sem dúvida, nos versos 13 e 14 – Si qua
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manent sceleris uestigia nostri, / inrita perpetua soluent formidine terras
[Se alguns vestígios do nosso crime / subsistirem, inócuos, libertarão a
terra de um medo perpétuo]23 – ao horror das guerras civis24 , à discórdia
estabelecida entre os chefes do Estado romano que ainda persistia: a
Paz de Brindes não podia acabar de vez com todo o cortejo de devastações
e morticínios, e Sexto Pompeu, excluído do Tratado de Brindes,
impedia com sua armada a chegada do trigo africano à Itália. Carcopino
(CARCOPINO,1930,pp.189-190) nos confirma essa afirmação quando
diz:
Lorsque Virgile declare: “Si quelques traces de notre scélératesse
persistent, elles n’auront plus d’effet, et les terres seront délivrées de
leur terreur perpétuelle” (...) il est clair que le feu des guerres civiles,
flétries comme un crime par les justes paroles du poète, n’est pas encore
éteint partout25 .
Sempre que os acontecimentos históricos intensificavam seus efeitos
catastróficos, esclarece-nos Eliade (ELIADE,1969,p.158), os romanos
criam estar iminente o fim do Grande Ano e estar Roma à beira de
uma ruína. Logo que César atravessou o Rubicão, Nigídio Fígulo26 –
segundo nos informa Carcopino (CARCOPINO, 1930, p.147) – pressentiu
o começo de um drama cósmico-histórico que poderia por fim a
Roma e à espécie humana. Nigídio acreditava que essa ™kpÚrwsij não
seria fatal e que a renovação pitagórica (metakÒsmhsij) poderia ser possível
sem catástrofe cósmica: “idée que Virgile allait reprendre et amplifier”
(ELIADE, 1969, p.158) na Bucólica IV. O reino de Augusto, no entanto,
viria a instaurar a tão esperada Pax Aeterna. Tendo como base os dois
mitos – o mito das idades e a teoria do Grande Ano –, a passagem da
Idade de Ferro à de Ouro, acreditava-se, efetuar-se-ia sem ™kpÚrwsij.
Tomando Virgílio assim essa idéia, propondo que as guerras civis teriam
marcado a passagem da Idade de Ferro à de Ouro, anuncia na Quarta
Bucólica a nova era. Bem depois, quando Augusto parecia já ter consolidado
a Idade de Ouro, “Virgile s’efforce de rassurer les romains quant
à la durée de la Cité”27 (ELIADE,1969,p.159): Júpiter, dirigindo-se a
Vênus (Eneida, I, 278-279), certifica-lhe de que ele não estabelecerá
aos romanos nenhum limite espacial ou temporal: His ego nec metas
rerum nec tempora pono:/ Imperium sine fine dedi28 . E, por isso, somente
após a publicação da Eneida, Roma foi consagrada Vrbs Aeterna
e Augusto proclamado seu segundo fundador: Roma agora poderá se
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expandir, diz Virgílio (Eneida, VI, 795-796), “além das constelações (do
Zodíaco29 ) [...] e dos caminhos do ano e do sol” 30 (extra sidera [...]/
extra anni solisque uias).
Virgílio, assim, compõe um poema “digno de um cônsul” no qual
enaltece a figura de Asínio Polião então cônsul, cuja participação foi
notável no acordo de paz em Brindes. Assinale-se, ainda, o nascimento
de seu filho caçula, Asínio Salonino, segundo Carcopino, a criança a que
se refere o poema. O nascimento dessa criança prefigura, pois, o alvorecer
de uma nova era para a humanidade, que gradativamente se consolidará
conforme o seu desenvolvimento natural, atingindo a sua maturidade
na fase áurea.
Assim, o poeta-vate, valendo-se do oráculo da Sibila, prenuncia a
chegada de novos tempos, faz-se mensageiro de tempos gloriosos que
ele recria à luz do mito da Idade de Ouro, que ele manifesta como tempo
de perfeita harmonia em confronto com os tempos vigentes, identificados
com a Idade de Ferro.
Acreditamos, por fim, que a Quarta Bucólica de Virgílio, cuja temática
é uma celebração à paz, possui uma mensagem atemporal e sem
fronteiras, uma mensagem de otimismo evocadora dos eternos anseios
humanos de concórdia, já presentes de certa forma in illo tempore, ou,
como nos assegura Carcopino (CARCOPINO,1930,p.194), “un message
immortel de l’humaine espérance” 31.
ABSTRACT
An investigation of the Eternal Return myth in the primitive time and its
repercussion in Vergil’s epoch was still arranged, in addition, the mythical,
historical and philosophical aspects which gave Vergil rise to work the Fourth
Eclogue out was here expounded.
Key-Words: Fourth Eclogue, Virgile, Eternal Return myth, Pact of Brundisium,
Palingenesis, Golden Age.
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meilleurs éditions critiques. Accompagné d’un commentaire
philologique et litéraire par Henri Goelzer. Paris: Librairie Garnier, /
1920/.
_______. Enéide. Tome I. 2e. éd. revue et corrigée. Texte établi et traduit
par J. Perret. Paris: Les Belles Lettres, 1978.
_______. Enéide. Tome III. 2e. éd.. Texte établi et traduit par J. Perret.
Paris: Les Belles Lettres, 1987.
_______. Géorgiques. 7e. ed. Texte établi et traduit par E. de Saint-Denis.
Paris: Les Belles Lettres, 1982.
_______. Oeuvres. Texte latin publiée avec une introduction biographique
et littéraire des notes critiques et explicatives, des gravures, des
cartes et un index par F. Plessis et P. Lejay. Paris: Librairie Hachette,
1920.
124 • CALÍOPE, Rio de Janeiro, 11: 112-127, 2003
VIRGILIO. Églogas y Geórgicas. Traducción directa y literal del latín,
prólogo y notas, de Jose Velasco y Garcia. Buenos Aires: Editorial
Glem, 1943.
NOTAS
1 Essas musas são as mesmas musas de Teócrito: a Sicília foi a pátria do poeta grego
Teócrito, pai da poesia pastoril, autor alexandrino, e fonte de inspiração ao poeta
latino; daí Virgílio nos lembrar novamente o poeta grego no início da Sexta Bucólica
quando diz syracosio uersu – cf.: VI,1-2: Prima Syracosio dignata est ludere uersu /
Nostra [...] Thalia [Tália, como primeira, dignou-se a cantar no verso de Siracusa] –,
e ainda invocar, na Décima, Aretusa, fonte e ninfa da Sicília – cf.: X,1: Extremum hunc,
Arethusa, mihi concede laborem [Aretusa, inspira-me (ainda) este último canto.]
2 Acredita Mendes (1985, p.222) que aqui “o poeta dá a entender que o gênero
bucólico não se coaduna perfeitamente com o assunto que agora se propõe cantar”; na
mesma página nos diz ainda o crítico: “Aflora em toda bucólica um tom próximo ao da epopéia”.
3 O tamarindo era uma planta consagrada a Apolo; era o emblema dos poetas, os quais muitas vezes eram representados com um ramo na mão. O ramo de tamarindo (como o de erva e o de arbusto) era tido como mais humilde que o de loureiro.
4 Seria como se aí dissesse: “façamo-lo de um modo ou num tom que não desdiga de um
cônsul”; e daí ter sido desde a antigüidade intitulada “Polião”.
5 “e nas quais se inspiraram os Livros Sibilinos” (VIRGILE. Les Bucoliques et les
Géorgiques. Traduction, introduction, notes et appendices par Maurice Rat, s.d.,
p.215).
6 Era uma profetisa, uma espécie de médium, encarregada de revelar os oráculos de Apolo; o oráculo, por sua vez, era uma espécie de diálogo, ou senão monólogo, entre a sacerdotisa e o deus invocado: entravam elas em contato com o deus autoprovocando uma espécie de transe, ou queimando certas plantas que provocavam vapores embriagantes, ou ainda respirando vapores sulfurosos, vindos das profundezas da terra.
7 Bushnell (1932, p.1) nos diz que “the Sibyl is quoted merely as authority for a ‘last age’. The prophecy is Vergil’s [a Sibila é citada simplesmente como uma autoridade numa ‘última idade’. A profecia é de Virgílio]”.
8 Carcopino (1930, p.39) nos esclarece que “Virgile avait interpreté le carmen de la Sibylle à la lumière des enseignements qu’il tenait des philosophes, et, à coup sûr, des
philosophes néopythagoriciens [Virgílio tinha interpretado a predição da Sibila à luz
dos ensinamentos que ele abstraíra dos filósofos, e, sem dúvida, dos filósofos neopitagóricos]”.
9 Cumas ficava na Campânia, perto de Nápoles. Das diversas sibilas, a dessa cidade, a sacerdotisa de Apolo, tornou-se um oráculo nacional e foi a mais famosa.
10 Trata-se de Astréia ou D…kh.
11 Saturno reinou primeiramente no céu e, destronado por seu filho Júpiter, refugiouse na terra, dando início à Idade de Prata presidida por Júpiter, a qual sucederam
CALÍOPE, Rio de Janeiro, 11: 112-127, 2003 • 125
depois de sua partida, a de Bronze, a dos Heróis e a de Ferro, a qual, por sua vez, foi
marcada pelo extravasamento de todas as paixões.
12 Essa nova geração é chamada no verso 9 de gens aurea. Serão os próprios deuses, segundo o poeta, que mandarão esta nova raça.
13 “uma tentativa de restauração, ainda que momentânea, do tempo mítico e primordial, do tempo ‘puro’, aquele do ‘instante’ da criação”.
14 Boulanger (1937, p.129) nos diz a respeito da chegada do pitagorismo a Roma: “Sur
ce point, on peut tenir pour définitive la démonstration qu’a donnée M. Carcopino
dans son beau livre sur la Basilique de la porte Majeure. Il a montré que le pythagorisme
s’était propagé, dès la fin du IVe siécle av. J.-C., ‘à travers la Messapie, la Lucanie, le Picenum et jusqu’à Rome même’ [A respeito desse tema, podemos ter como questão fechada a demonstração que nos deu o Sr. Carcopino em seu excelente livro sobre a Basílica da porta Maior. Demonstrou que o pitagorismo se expandiu, desde o final do século IV a.C., ‘através da Messápia, da Lucânia, do Piceno e até da própria Roma’]”.
15 “de falar maravilhas do coração humano diante do feito daquilo que se considerava impossível”.
16 Paratore (1983, p.380) acrescenta a todas essas os cultos orientais, uma certa propensão na Casa Júlia e o profetismo hebraico, segundo ele, já presente em Roma: “Todas as correntes místicas que agitavam, naquela época, a consciência das multidões, deixaram marcas de si na singularíssima composição: as tradicionais correntes órfico-pitagóricas, o culto sibilino renascente, as doutrinas filosóficas sobre a palingenesia moral da humanidade, a tradição romana do saeculum, cultos orientais conexos com figuras de monarcas e de heróis, a propensão que vigorava na Casa Júlia para a apoteose das próprias figuras eminentes (segundo o espírito já adotado por Virgílio no fragmento do Iulium sidus) e, não em último lugar, o profetismo hebraico, a espera do Messias, da qual Virgílio devia ter tido notícia freqüentando a casa de
Polião, na qual encontravam hospitalidade os hebreus doutos, de passagem pela Itália.”
17 Cunha (1989, p.98) nos lembra que, ao contrário do que ocorre com a narração do mito em Ovídio, o poema virgiliano “vincula-se ao momento histórico vivenciado pelo
povo romano, que, após um período de crises turbulentas, vê ressurgir, com o sucesso
das negociações em prol da paz, que culminou com a assinatura do Tratado de Bríndisi,
a esperança de dias melhores num futuro próximo”.
18 Caio Asínio Polião (76 a.C.- 5 d.C.) foi, como Mecenas, protetor de Virgílio e de
Horácio; autor trágico, gramático, historiador, orador, atribui-se-lhe o fato de ter sido
ele o mentor das Bucólicas. Não é de modo algum de se surpreender que o poeta se
lembre dele na Bucólica VIII (na qual confessa ter sido por ele incentivado a compor
poemas bucólicos) – cf.: VIII,11-12: Accipe iussis / carmina coepta tuis [Aceita os
versos começados por tuas ordens] –, celebre seu talento literário na III – cf.: v.84:
Pollio amat nostram, quamuis est rustica, Musam [Polião ama a nossa Musa, apesar
de ser rústica] –, e, por fim, dedique-lhe a IV.
19 Goelzer, em sua obra crítica sobre as Bucólicas (VIRGILE. Bucoliques-GéorgiquesÉnéide.
Accompagnée d’un commentaire philologique littéraire par Henri Goelzer,
1920, p.23), diz-nos que decus hoc aeui (lit.: esta honra do tempo) está por decus
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huius aeui (lit.: honra deste tempo), i.e., aquele novo Século de Ouro, e, daí, nossa
tradução.
20 Ao ablativo te duce do v. 13, Carcopino (1930, pp.182-185) nos sugere a tradução
acima utilizada, pois que, segundo ele, haveria aí uma referência ao comando de Polião
e a sua campanha militar na Dalmácia (40 a.C.).
21 Jérôme Carcopino (1930, pp.42-43) e João Pedro Mendes (1985, p.225) aceitam
como mais apropriada para et incipient magni procedere menses a tradução de Henri
Goelzer (VIRGILE. Bucoliques. Texte établi et traduit par Henri Goelzer, 1925,
p.42): “Les mois de la Grande Année inaugureront leurs cours [Os meses do Grande
Ano empreenderão seus cursos]”.
22 Velasco y Garcia (VIRGILIO. Éclogas y Geórgicas. Traducción y notas de Jose
Velasco y Garcia, 1943, p.39), no entanto, nas notas de sua tradução das Bucólicas
nos diz que “este pasaje se interpreta de distintas maneras. Parece lo más probable
que los meses magnos de que aquí se habla sean los de la recolección, porque al llegar
la edad de oro se habría de estar en una continua cosecha [Esta passagem se interpreta
de diversas maneiras; o mais provável, ao que parece, é que os grandes meses de que
aqui se falam sejam da colheita, porque, quando chegasse a Idade de Ouro, haveria de
se estar numa colheita constante]”.
23 Carolus Ruaeus (Maronis, P. VIRGILII. Opera. Interpretatione et notis illustravit
Carolus Ruaeus, 1846, p.91) nas notas de seu estudo crítico sobre as Bucólicas nos
afirma que tal passagem pode ser uma referência à perjúria dos troianos, às guerras
civis entre César e Pompeu ou ao assassinato de César: Scelus illud: vel sunt perjuria
trojanorum, quibus omnes posterorum Romanorum calamitates tribuuntur (cf.:
Virgílio,Geórgicas, I, 501: Satis iampridem sanguine nostro Laomedonteae luimus
periuria Troiae [De há muito, bastante temos expiado com o nosso sangue os perjúrios
da Tróia laomedôntea]). Vel bella civilia Caesaris et Pompeii. Vel caedes ipsa
Caesaris, spectante senatu patrata [Aquele crime, ou se refere à perjúria dos troianos,
aos quais são atribuídas todas as calamidades por (seus) descendentes romanos, ou às
guerras civis de César e de Pompeu, ou ao próprio assassinato de César, executado
pelo Senado que (o) esperava]. Plessis e Lejay (VIRGILE. Oeuvres. Introduction et
notes par Plessis e Lejay, 1920, p.30) admitem haver aí uma referência ao embargo de
trigo por Sexto Pompeu: “Il se peut que Virgile songe à Sextus Pompée qui n’avait pas
été compris dans le traité de Brindes et dont la flotte, croisant le long des côtes de
l’Italie méridionale, empêchait l’arrivage des blés d’Afrique [Pode ser que Virgílio
esteja se referindo aí a Sexto Pompeu que não foi incluído no Tratado de Brindes e cuja
armada, passando ao longo do litoral da Itália meridional, impedia a chegada do trigo da
África]”.
24 Mendes (1985, p.226) cita Sérvio para com ele concordar de que aí de fato é feita
referência às guerras civis: uestigia autem scelerum dicit bella ciuilia [chama contudo
as guerras civis de vestígios do crime].
25 Logo que Virgílio declara: “Se alguns traços do nosso crime ainda persistem, eles não
mais terão efeitos, e as terras estarão livres de seus medos perpétuos” (...) está claro
que o fervor das guerras civis, condenadas como um crime pelas justas palavras do
poeta, ainda não se extinguiram.
CALÍOPE, Rio de Janeiro, 11: 112-127, 2003 • 127
26 Nigidius Figulus (aprox. 100-45 a.C.), polímata, um possível descendente de uma
família de origem etrusca, foi pretor em 58 a.C. Partidário ativo de Pompeu e provável
seguidor de Pitágoras, foi exilado no tempo de César. Escreveu sobre gramática, astronomia,
astrologia, ciências ocultas, zoologia e, sobretudo, religião. Temos uma parte
de seu trabalho, repleto de influência etrusca, sobre augúrios e portentos.
27 “Virgílio se propõe a tranqüilizar os romanos quanto à duração da Cidade (de
Roma)”.
28 “Eu, de minha parte, não fixo àqueles nem limites (de domínio), nem tempo de
duração: dei-lhes um império sem fim”.
29 A palavra sidera designa as doze constelações do Zodíaco; e o Zodíaco é a extensão da zona do céu na qual se localizam os movimentos dos planetas visíveis. Virgílio nos diz então que Augusto poderá expandir os limites do Império Romano para além das regiões até então conhecidas.
30 O Sol em seu movimento aparente percorre sucessivamente os doze signos do
Zodíaco. O Império Romano poderá se expandir então, diz o vate, além dos caminhos seguidos pelo Sol em sua revolução anual, ou seja, além dos trópicos.
31 uma mensagem imortal da esperança humana.
128 •

Fonte webliográfica: http://www.letras.ufrj.br/pgclassicas/caliope11.pdf

CURRICULUM LATTES DE ROBERTO ARRUDA DE OLIVEIRA




Por ele mesmo:


Ministro atualmente, como professor adjunto II, as disciplinas de Língua Latina III e Cultura Clássica II na Universidade Federal do Ceará. Estudos na área de Língua latina, Literatura Latina e Filologia Românica. Mestrado e Doutorado em Língua e Literatura Latina na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Dissertação: A Bucólica IV de Virgílio e o mítico eterno retorno (2001) Tese: A morte nas elegias propercianas (2005) Exerço também atualmente a função de Coordenador do Curso de Letras da Universidade Federal do Ceará.
(Texto informado pelo autor)


Última atualização do currículo em 13/04/2008
Endereço para acessar este CV:
http://lattes.cnpq.br/7651466950685198
Links para Outras Bases:

Univ Federal do Rio de Janeiro


Dados pessoais
Nome Roberto Arruda de Oliveira
Nome em citações bibliográficas OLIVEIRA, Roberto Arruda de
Sexo Masculino
Endereço profissional Universidade Federal do Ceará, Centro de Humanidades, Departamento de Letras Estrangeiras.
Av. da Universidade, 2683
Benfica
60020-181 - Fortaleza, CE - Brasil
Telefone: (85) 33667612 Fax: (85) 33667613


Formação acadêmica/Titulação
2001 - 2005 Doutorado em Letras (Letras Clássicas).
Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, Brasil.
Título: A MORTE NAS ELEGIAS PROPERCIANAS, Ano
de Obtenção: 2005.
Orientador: PROFª DRª ALICE DA SILVA CUNHA.
Bolsista do(a): Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, CAPES, Brasil.
Palavras-chave: Propércio, morte, elegia, poesia elegíaca, lírica.
Grande área: Lingüística, Letras e Artes / Área: Letras / Subárea: Línguas Clássicas.
Setores de atividade: Educação superior.
1999 - 2001 Mestrado em Letras (Letras Clássicas).
Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, Brasil.
Título: A BUCÓLICA IV DE VIRGÍLIO E O MÍTICO ETERNO RETORNO, Ano de Obtenção: 2001.
Orientador: PROFª DRª ALICE DA SILVA CUNHA.
Bolsista do(a): Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, CAPES, Brasil.
Palavras-chave: Virgílio, Bucólica, poesia lírica, Palingenesia.
Grande área: Lingüística, Letras e Artes / Área: Letras / Subárea: Literaturas Clássicas.
Setores de atividade: Educação superior.
1987 - 1990 Graduação em Letras (português-francês). Universidade Federal do Ceará, UFC, Brasil.
1982 - 1986 Graduação em Letras (Português-Literatura). Universidade Federal do Ceará, UFC, Brasil.

Formação complementar
1998 - 1998 IV Seminário de Estudos Clássicos. (Carga horária: 8h).
Universidade Federal do Ceará, UFC, Brasil.
1994 - 1994 Prática de Conversação Em Língua Italiana. (Carga horária: 60h).
Universidade Federal do Ceará, UFC, Brasil.
1992 - 1992 Didática do Ensino Superior. (Carga horária: 60h).
Universidade Federal do Ceará, UFC, Brasil.
1992 - 1992 VII Semana de Estudos Clássicos. (Carga horária: 16h).
Universidade Federal do Ceará, UFC, Brasil.
1989 - 1989 V Semana de Estudos Clássicos. (Carga horária: 16h).
Universidade Federal do Ceará, UFC, Brasil.
1988 - 1989 Extensão universitária em Latim Clássico. (Carga horária: 240h).
Universidade Federal do Ceará, UFC, Brasil.
1987 - 1988 Extensão universitária em Língua Grega - grego clássico. (Carga horária: 240h).
Universidade Federal do Ceará, UFC, Brasil.
1979 - 1983 Extensão universitária em Língua Alemã. (Carga horária: 360h).
Universidade Federal do Ceará, UFC, Brasil.
1976 - 1979 Língua Inglesa. (Carga horária: 360h).
Instituto Brasil Estados Unidos, IBEU-CE, Brasil.

Atuação profissional

Universidade Federal do Ceará, UFC, Brasil.
Vínculo institucional
1992 - Atual Vínculo: Servidor Público, Enquadramento Funcional: Professor adjunto I, Carga horária: 40, Regime: Dedicação exclusiva.
Atividades
03/2008 - Atual Ensino, Letras (Português-Literatura), Nível: Graduação.
Disciplinas ministradas
latim I: língua e cultura - Letras semi-presencial

03/2008 - Atual Extensão universitária , Centro de Humanidades, .
Atividade de extensão realizada
Curso Propedêutico ao latim.
09/2007 - Atual Direção e administração, Centro de Humanidades, .
Cargo ou função
Coordenador de Curso.
3/1992 - Atual Ensino, Letras, Nível: Graduação.
Disciplinas ministradas
Cultura Clássica II - Roma
Filologia Românica
Língua Latina
Literatura Latina

08/2007 - 12/2007 Extensão universitária , Centro de Humanidades, .
Atividade de extensão realizada
Curso propedêutico ao latim.
08/2006 - 12/2006 Extensão universitária , Centro de Humanidades, .
Atividade de extensão realizada
Tradução de Textos Latinos.
8/2003 - 12/2004 Ensino, Estudos Clássicos, Nível: Especialização.
Disciplinas ministradas
As Elegias de Propércio


Universidade Estadual do Ceará, UECE, Brasil.
Vínculo institucional
1990 - 1992 Vínculo: Servidor Público, Enquadramento Funcional: Professor auxiliar, Carga horária: 40
Atividades
7/1990 - 3/1992 Ensino, Letras, Nível: Graduação.
Disciplinas ministradas
Língua Latina, Língua Grega, Língua Francesa


Áreas de atuação
1. Grande área: Lingüística, Letras e Artes / Área: Letras / Subárea: Línguas Clássicas.


Idiomas
Português Compreende Bem, Fala Bem, Lê Bem, Escreve Bem.
Inglês Compreende Bem, Fala Bem, Lê Bem, Escreve Bem.
Francês Compreende Bem, Fala Bem, Lê Bem, Escreve Razoavelmente.
Alemão Compreende Razoavelmente, Fala Razoavelmente, Lê Bem, Escreve Pouco.



Produção em C,T & A
Produção bibliográfica

Artigos completos publicados em periódicos
1. OLIVEIRA, Roberto Arruda de . Motivações mítico-históricas da Bucólica IV de Virgílio. Calíope (UFRJ), v. 11, p. 112-127, 2003.
Demais tipos de produção bibliográfica
1. OLIVEIRA, Roberto Arruda de . Roma Antiga. FORTALEZA: NUCLÁS/UFC, 2008 (Liivro-método).
2. OLIVEIRA, Roberto Arruda de . Propedêutica ao Latim, vol. III. FORTALEZA: NUCLÁS/UFC, 2008 (Livro-método).
3. OLIVEIRA, Roberto Arruda de . A literatura da Roma Antiga. Fortaleza: NUCLÁS/UFC, 2005 (Liivro-método).
4. OLIVEIRA, Roberto Arruda de . Propedêutica ao latim, vol. I. Fortaleza: NUCLÁS/UFC, 2004 (Liivro-método).
5. OLIVEIRA, Roberto Arruda de . Propedêutica ao latim, vol. II. Fortaleza: NUCLÁS/UFC, 2004 (Liivro-método).

Bancas
Participação em bancas examinadoras

Dissertações
1. OLIVEIRA, Roberto Arruda de. Participação em banca de Francisca Patrícia Pompeu Brasil. Contos de Fadas e casamento na prosa romântica de José de Alencar. 2007. Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Federal do Ceará.
Participação em bancas de comissões julgadoras

Concurso público
1. POMPEU, Ana Maria César; OLIVEIRA, Roberto Arruda de. Banca examinadora do processo seletivo para contratação de professor substituto de Grego Clássico. 2006. Universidade Estadual Vale do Acaraú.
2. OLIVEIRA, Roberto Arruda de. Banca Examinadora do Concurso Público da UECE (Universidade Estadual do Ceará) para preenchimento de vaga professor auxiliar I, nível Especialização, a ser lotada na unidade de Limoeiro - FAFIDAM. 2006. Universidade Estadual do Ceará.
3. OLIVEIRA, Roberto Arruda de. Banca examinadora para seleção de professor substituto de latim. 2006. Universidade Federal do Ceará.
4. OLIVEIRA, Roberto Arruda de. Banca Examinadora do Concurso Público da UECE (Universidade Estadual do Ceará) para preenchimento de vaga professor auxiliar I, nível Especialização, a ser lotada na unidade de Fortaleza. 2005. Universidade Estadual do Ceará.
5. OLIVEIRA, Roberto Arruda de. Banca examinadora para seleção de professor substituto da UFC - setor de estudo Latim. 2005. Universidade Federal do Ceará.
6. POMPEU, Ana Maria César; OLIVEIRA, Roberto Arruda de. Banca examinadora do processo seletivo para contratação de professor substituto-setor de estudo grego. 2004. Universidade Estadual do Ceará.
7. POMPEU, Ana Maria César; OLIVEIRA, Roberto Arruda de. Banca examinadora para proceder a seleção pública de professor substituto - setor de estudo língua latina. 2004. Universidade Federal do Ceará.
8. OLIVEIRA, Roberto Arruda de. Banca Examinadora do Concurso Público para Títulos e Provas ao Preenchimento de vaga docente de professor auxiliar de ensino, nível I, a ser lotada no Departamento de Letras da FECLI-UECE (Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Iguatu). 1994. Universidade Estadual do Ceará.

Eventos
Participação em eventos
1. XXI SEMANA DE ESTUDOS CLÁSSICOS.JUVENAL: SÁTIRA VI. 2007. (Seminário).
2. II SEMANA DE LINGÜÍSTICA DO DLE.LINGUAGEM MÍTICA DAS ELEGIAS PROPERCIANAS. 2007. (Seminário).
3. XX SEMANA DE ESTUDOS CLÁSSICOS: O SAGRADO E SUAS REPRESENTAÇÕES NO MUNDO CLÁSSICO.BUCÓLICA IV DE VIRGÍLIO: O VATICÍNIO DA PAZ. 2006. (Seminário).
4. SEMANA DE HUMANIDADES III.A IMPORTÂNCIA DOS ESTUDOS CLÁSSICOS NA FORMAÇÃO HUMANÍSTICA. 2006. (Seminário).
5. XIX SEMANA DE ESTUDOS CLÁSSICOS.CONTROVÉRSIAS EM TORNO DE UMA IDENTIDADE (VIRG., BUC. IV). 2005. (Seminário).
6. XVIII SEMANA DE ESTUDOS CLÁSSICOS.VNIVS SERVVS AMORIS (PROPÉRCIO, ELEGIAS, I,10 ). 2004. (Seminário).
7. II JORNADA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS CLÁSSICAS.EROS E MISERATIO NA ELEGIA PROPERCIANA. 2002. (Seminário).
8. XXII SEMANA DE ESTUDOS CLÁSSICOS.MOTIVAÇÕES MÍTICO-HISTÓRICAS DA BUCÓLICA IV DE VIRGÍLIO. 2002. (Seminário).
9. IV JORNADA DE ESTUDOS DA ANTIGUIDADE.A ANTÍTESE DE SENTIMENTOS NAS ELEGIAS PROPERCIANAS. 2002. (Seminário).
10. XXI SEMANA DE ESTUDOS CLÁSSICOS.ÉCLOGA IV: PROFECIA DO NASCIMENTO DE CRISTO?. 2000. (Seminário).
11. XX SEMANA DE ESTUDOS CLÁSSICOS.UM CONSELHO PARA UM LONGO AMOR (ELEGIA I,10 - PROPÉRCIO). 1999. (Seminário).
12. SEMINÁRIO OS DISCURSOS DO AMOR DA GRÉCIA À MODERNIDADE.A ARTE DE AMAR: MANUAL DA SEDUÇÃO. 1997. (Seminário).
13. ENCONTRO CULTURAIS - SÉRIE III.SÊNECA E O DE BREVITATE VITAE. 1996. (Seminário).
14. XI SEMANA DE ESTUDOS CLÁSSICOS.A POESIA REALISTA DE JUVENAL. 1995. (Seminário).
15. ENCONTROS CULTURAIS - SÉRIE II.OVÍDIO E A ARTE DE AMAR. 1995. (Seminário).
16. X SEMANA DE ESTUDOS CLÁSSICOS.DE BREVITATE VITAE DE SÊNECA. 1994. (Seminário).
17. VIII SEMANA DE ESTUDOS CLÁSSICOS.A DIDÁTICA DO AMOR NA ARTE DE AMAR DE OVÍDIO. 1993. (Seminário).
18. IX SEMANA DE ESTUDOS CLÁSSICOS.A ARTE POÉTICA DE HORÁCIO. 1993. (Seminário).

Orientações
Supervisões e orientações concluídas

Monografia de conclusão de curso de aperfeiçoamento/especialização
1. Nilton César Batista da Silva. A saudade das delícias abandonadas: estudo e tradução do livro XII dos Epigramas de Marcial. 2007. Monografia. (Aperfeiçoamento/Especialização em Estudos Clássicos) - Universidade Federal do Ceará. Orientador: Roberto Arruda de Oliveira.
2. Júlia Venâncio Nogueira. Percepções sobre o universo feminino na "Ars Amatoria" de Ovídio. 2007. Monografia. (Aperfeiçoamento/Especialização em Estudos Clássicos) - Universidade Federal do Ceará. Orientador: Roberto Arruda de Oliveira.

Outras informações relevantes
Participou como professor efetivo (1993, 1994, 1995, 1996, 1997 e 1998, 2006, 2007) como membro da banca julgadora para a seleção de monitor de língua latina e grega do Departamento de Letras Estrangeiras da Universidade Federal do Ceará. (23/12/2003).

Fonte webliografia: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4731480T6